sábado, 9 de junho de 2012

Lead us not into temptation


    Nessa noite de potes de maionese vazios e cafés gelados falarei, despretensiosamente, de um assunto clichê e debatido até demais nessa era de onipotência digital: Religião. Sempre gostei muito de me inteirar sobre tudo que afeta a vida das pessoas no geral, seja política, futebol, entretenimento ou qualquer coisa que tenha sua parte na formação da cultura e personalidade de alguém. Não estou dizendo que assisto à propagandas políticas ou à jogos de futebol, do assunto mesmo conheço superficialmente. O que me fascina é a obsessão das pessoas sobre essas coisas, como elas tomam elogios e ofensas para si mesmas, tomando sua opinião política/time/religião como características pessoais, como se precisam disso para definirem quem são e dividir o mundo entre o certo e o errado, se desvirtuando do propósito da coisa toda, no final das contas.
    Mas com a religião foi diferente para mim. Religião é a primeira coisa que você aprende e o medo de questionar, até mesmo mentalmente, paira pelo ar desde sempre. Nasci e cresci em uma família cristã, assim como a maioria das pessoas, porém nunca tivemos uma religião estável, me proporcionando assim a chance de conhecer um pouco de cada doutrina religiosa. Não posso simplesmente apontar as falhas de cada uma, mas tendo uma visão geral de todo o conceito posso afirmar que religião não é uma coisa que eu quero ensinar para os meus filhos. Para deixar claro, não sou ateia, acredito em Deus e em Jesus Cristo, mas não fecho meus olhos e aceito qualquer coisa por isso.
       Outro dia minha avó me chamou para ir conhecer a igreja que ela está frequentando e, movida pela curiosidade, aceitei. Pouco antes de sairmos ela me olhou de cima a baixo e disse "Você vai assim?" olhei para minha roupa e constei que estava perfeitamente coberta e descente, então perguntei qual era o problema. Ela disse que eu não estava bem vestida o suficiente, "parecia que tava indo pra feira". Naturalmente, fiquei puta. Quer dizer que eu não sou digna nem para Deus se eu não tiver metida em Hollister? Se Deus é o cara que está me vigiando vinte e quatro horas por dia em cada momento deplorante da minha vida, então porque eu tenho que me vestir bem somente em momentos específicos?
Foi nesse momento que eu percebi que Deus era só uma desculpa para promover encontros sociais e fachada branca para os fiéis. Isso por parte dos praticantes é claro, do lado da organização é de conhecimento comum a corrupção e hipocrisia, sem necessidade alguma de entrar nisso agora.
      Algumas semanas atrás estava navegando pela internet quando me deparo com isto:



Supostamente, o pastor dessa igreja sugeriu que fosse criado um campo de concentração para os gays. Um campo de concentração. E essa mulher deu uma entrevista para um dos maiores talk shows da CNN dizendo que concordava plenamente com o dito cujo, e que a mensagem de que o homossexualismo é errado seria passada com eficiência se todos nós pudéssemos assistir os gays morrerem atrás de cercas elétricas. Como se era de esperar, quando o jornalista começa a argumentar a senhora perde as rédias da discussão, tendo como o único contra-argumento que "é errado ser gay". Não é preciso nem explicar o porquê dessa ideia ser absurda, o ponto é aonde uma série de discursos semanais podem te levar. Você certamente deve estar pensando que a mulher é louca ou fanática, uma em um milhão, mas não. Talvez não com tanta intensidade, mas a partir do momento que você senta para ouvir um discurso, seja ele qual for, você está sendo alienado.
    Obviamente, a devoção religiosa tem seu lado bom, como todas as coisas. A religião ensina princípios que, ao contrário de regras, não são quebrados quando não tem ninguém vendo. É uma faca de dois gumes,  imagine um mundo, com toda essa desigualdade social, onde os únicos freios para alguém conseguir uma vida melhor fossem um sistema corrupto de proteção: estávamos mais fodidos ainda. Portando devemos admitir que, por mais catastrófico que seja, ainda precisamos do sistema religioso para podar a população.
Então é basicamente isso: Tudo bem você ir à igreja aos domingos, mas não tome tudo o que escuta como verdade absoluta. Quem está ali na frente pregando é tão humano quanto você, talvez não tão inocente, mas garanto que não está um passo mais perto de Deus.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Diablo III

     I will not bother you. If you don't want to talk to me that's ok, really. I know I can be pretty disappointing sometimes, but that's who I am, and I just can't change certain things. I just don't want you to have a wrong impression of me, or to doubt about my real intentions, because I never wanted nothing but your friendship. I'm stupid and I do stupid things all the time, you didn't get the time to know this side of me very well, I guess. Someone must have said something silly that I've done and you thought I was a bitch, or you just didn't like my face. But I am a very nice person if you ask my good fellows, and I know you are too. I'm very confused about that to be honest. I don't know if I should go on with my life and ignore your existence just like you're doing with mine, or if I should talk to you and show who I really am. But nah, I will not bother you.

domingo, 3 de junho de 2012

Normalidades

    Sabe aquela sensação de frio na barriga? Eu sinto nas mãos. Não é tremedeira, nem frio de verdade, é quase uma dor aguda deliciosa. Sempre que eu estou ansiosa é a mesma coisa: meu estômago embrulha e minhas mãos congelam. Pois então, eu sendo uma pessoa que facilmente perde o interesse nas coisas, acabo me tornando também maçante e trivial. E se tem uma coisa que eu tetesto é tédio.
    Assim, acabo sempre fazendo merda em troca de doses de adrenalina. A penúltima presepada que fiz foi a seguinte: 
Meu crush, Carlos (aka Peu),19, está vendendo uns ingressos para uma festa caríssima e postou seu número no Facebook para interessados. Eu prontamente anotei, mesmo sem ter 100 reais para comprar o ingresso. No outro dia, quando estava na sala de aula com minha amiga trocando sms com Skywalker,17, acabei soltando dentre o coito conversativo algo como "Entra no msn ou em mim lindo!"e minha amiga Victória ,16, gargalhou e sugeriu que mandássemos a mesma coisa para Peu. Eu, que não sou conhecida por pensar muito nas coisas, concordei sem hesitar. Horas se passaram enquanto esperávamos ansiosamente por qualquer resposta. A aula acabou e fomos almoçar divagado por todo o caminho as possibilidades de eu ter anotado o número errado ou de ele ter esquecido o celular em casa. 
    Já tinham se passado umas três horas quando eu decidi mandar uma mensagem do meu celular perguntando se ainda tinha ingresso pra vender. O danado respondeu prontamente, dizendo que tinha e perguntando quem era. Disse que ligava pra ele mais tarde e não liguei mais. Não naquele dia, pelo menos. Não posso negar que fiquei um tanto quanto decepcionada, sempre achei que ele era daqueles caras engraçados. Mas valeu a pena só de imaginar a cara dele ao ler a mensagem, e a cara de Dan Dan (melhor amigo dele que cocerteza terá um post no futuro) que também devia estar junto dele já que os dois cursam a mesma coisa.
   Passaram algumas semanas quando em uma noite enfadonha de quarta-feira, eu decidi ligar pra ele, só pra ouvir a voz dele. E depois de andar pela casa toda umas 50 vezes, tomei coragem e liguei. A conversa foi mais ou menos assim:

Ele: "Alô?"
Eu: "Quem fala?"
Ele: "Carlos" (na verdade foi algo como "caaarls")
Eu: "Que?" (playing dumb)
Ele: "Carlos" (caaarls)
Eu: "Ah, ainda tem ingresso?"
Ele: "Tem, vai querer?"
Eu: "Acho que sim, tu entrega em casa?"
Ele: "Entrego, tu mora aonde?"
Eu:  "É meio longe, eu moro em Olinda, pro lado de Casa Caiada..."
Ele: "Ah, eu moro em Casa Caiada também. É pra entregar quando?"
Eu: "Não sei, porque eu to sem o dinheiro agora. Tu pode me ligar quando for subir o preço?"
Ele: "Ok, vou salvar aqui. Qual é teu nome?"
Eu: "Ahm, Carla"
Ele: "Que? Qual é teu nome?"
Eu: "Carla!"

Pois é amigos, além de ter escolhido exatamente o bairro onde ele mora, dentre os milhares de outros que existem em Recife/Olinda, o único nome que eu consegui pensar foi o feminino do nome dele. Quem se chama Carla, Meu Deus?

Será que tem algum problema de usar o nome verdadeiro deles etc? Eles nunca vão ler mesmo. E a história é tão específica que ficaria óbvio até mesmo com nomes fictícios. Tetesto nomes fictícios.