Nessa noite de potes de maionese vazios e cafés gelados falarei, despretensiosamente, de um assunto clichê e debatido até demais
nessa era de onipotência digital: Religião. Sempre gostei muito de me inteirar sobre tudo que afeta a vida das pessoas no geral, seja política, futebol, entretenimento ou qualquer coisa que tenha sua parte na formação da cultura e personalidade de alguém. Não estou dizendo que assisto à propagandas políticas ou à jogos de futebol, do assunto mesmo conheço superficialmente. O que me fascina é a obsessão das pessoas sobre essas coisas, como elas tomam elogios e ofensas para si mesmas, tomando sua opinião política/time/religião como características pessoais, como se precisam disso para definirem quem são e dividir o mundo entre o certo e o errado, se desvirtuando do propósito da coisa toda, no final das contas.
Mas com a religião foi diferente para mim. Religião é a primeira coisa que você aprende e o medo de questionar, até mesmo mentalmente, paira pelo ar desde sempre. Nasci e cresci em uma família cristã, assim como a maioria das pessoas, porém nunca tivemos uma religião estável, me proporcionando assim a chance de conhecer um pouco de cada doutrina religiosa. Não posso simplesmente apontar as falhas de cada uma, mas tendo uma visão geral de todo o conceito posso afirmar que religião não é uma coisa que eu quero ensinar para os meus filhos. Para deixar claro, não sou ateia, acredito em Deus e em Jesus Cristo, mas não fecho meus olhos e aceito qualquer coisa por isso.Outro dia minha avó me chamou para ir conhecer a igreja que ela está frequentando e, movida pela curiosidade, aceitei. Pouco antes de sairmos ela me olhou de cima a baixo e disse "Você vai assim?" olhei para minha roupa e constei que estava perfeitamente coberta e descente, então perguntei qual era o problema. Ela disse que eu não estava bem vestida o suficiente, "parecia que tava indo pra feira". Naturalmente, fiquei puta. Quer dizer que eu não sou digna nem para Deus se eu não tiver metida em Hollister? Se Deus é o cara que está me vigiando vinte e quatro horas por dia em cada momento deplorante da minha vida, então porque eu tenho que me vestir bem somente em momentos específicos?
Foi nesse momento que eu percebi que Deus era só uma desculpa para promover encontros sociais e fachada branca para os fiéis. Isso por parte dos praticantes é claro, do lado da organização é de conhecimento comum a corrupção e hipocrisia, sem necessidade alguma de entrar nisso agora.
Algumas semanas atrás estava navegando pela internet quando me deparo com isto:
Supostamente, o pastor dessa igreja sugeriu que fosse criado um campo de concentração para os gays. Um campo de concentração. E essa mulher deu uma entrevista para um dos maiores talk shows da CNN dizendo que concordava plenamente com o dito cujo, e que a mensagem de que o homossexualismo é errado seria passada com eficiência se todos nós pudéssemos assistir os gays morrerem atrás de cercas elétricas. Como se era de esperar, quando o jornalista começa a argumentar a senhora perde as rédias da discussão, tendo como o único contra-argumento que "é errado ser gay". Não é preciso nem explicar o porquê dessa ideia ser absurda, o ponto é aonde uma série de discursos semanais podem te levar. Você certamente deve estar pensando que a mulher é louca ou fanática, uma em um milhão, mas não. Talvez não com tanta intensidade, mas a partir do momento que você senta para ouvir um discurso, seja ele qual for, você está sendo alienado.
Obviamente, a devoção religiosa tem seu lado bom, como todas as coisas. A religião ensina princípios que, ao contrário de regras, não são quebrados quando não tem ninguém vendo. É uma faca de dois gumes, imagine um mundo, com toda essa desigualdade social, onde os únicos freios para alguém conseguir uma vida melhor fossem um sistema corrupto de proteção: estávamos mais fodidos ainda. Portando devemos admitir que, por mais catastrófico que seja, ainda precisamos do sistema religioso para podar a população.
Então é basicamente isso: Tudo bem você ir à igreja aos domingos, mas não tome tudo o que escuta como verdade absoluta. Quem está ali na frente pregando é tão humano quanto você, talvez não tão inocente, mas garanto que não está um passo mais perto de Deus.