domingo, 3 de junho de 2012

Normalidades

    Sabe aquela sensação de frio na barriga? Eu sinto nas mãos. Não é tremedeira, nem frio de verdade, é quase uma dor aguda deliciosa. Sempre que eu estou ansiosa é a mesma coisa: meu estômago embrulha e minhas mãos congelam. Pois então, eu sendo uma pessoa que facilmente perde o interesse nas coisas, acabo me tornando também maçante e trivial. E se tem uma coisa que eu tetesto é tédio.
    Assim, acabo sempre fazendo merda em troca de doses de adrenalina. A penúltima presepada que fiz foi a seguinte: 
Meu crush, Carlos (aka Peu),19, está vendendo uns ingressos para uma festa caríssima e postou seu número no Facebook para interessados. Eu prontamente anotei, mesmo sem ter 100 reais para comprar o ingresso. No outro dia, quando estava na sala de aula com minha amiga trocando sms com Skywalker,17, acabei soltando dentre o coito conversativo algo como "Entra no msn ou em mim lindo!"e minha amiga Victória ,16, gargalhou e sugeriu que mandássemos a mesma coisa para Peu. Eu, que não sou conhecida por pensar muito nas coisas, concordei sem hesitar. Horas se passaram enquanto esperávamos ansiosamente por qualquer resposta. A aula acabou e fomos almoçar divagado por todo o caminho as possibilidades de eu ter anotado o número errado ou de ele ter esquecido o celular em casa. 
    Já tinham se passado umas três horas quando eu decidi mandar uma mensagem do meu celular perguntando se ainda tinha ingresso pra vender. O danado respondeu prontamente, dizendo que tinha e perguntando quem era. Disse que ligava pra ele mais tarde e não liguei mais. Não naquele dia, pelo menos. Não posso negar que fiquei um tanto quanto decepcionada, sempre achei que ele era daqueles caras engraçados. Mas valeu a pena só de imaginar a cara dele ao ler a mensagem, e a cara de Dan Dan (melhor amigo dele que cocerteza terá um post no futuro) que também devia estar junto dele já que os dois cursam a mesma coisa.
   Passaram algumas semanas quando em uma noite enfadonha de quarta-feira, eu decidi ligar pra ele, só pra ouvir a voz dele. E depois de andar pela casa toda umas 50 vezes, tomei coragem e liguei. A conversa foi mais ou menos assim:

Ele: "Alô?"
Eu: "Quem fala?"
Ele: "Carlos" (na verdade foi algo como "caaarls")
Eu: "Que?" (playing dumb)
Ele: "Carlos" (caaarls)
Eu: "Ah, ainda tem ingresso?"
Ele: "Tem, vai querer?"
Eu: "Acho que sim, tu entrega em casa?"
Ele: "Entrego, tu mora aonde?"
Eu:  "É meio longe, eu moro em Olinda, pro lado de Casa Caiada..."
Ele: "Ah, eu moro em Casa Caiada também. É pra entregar quando?"
Eu: "Não sei, porque eu to sem o dinheiro agora. Tu pode me ligar quando for subir o preço?"
Ele: "Ok, vou salvar aqui. Qual é teu nome?"
Eu: "Ahm, Carla"
Ele: "Que? Qual é teu nome?"
Eu: "Carla!"

Pois é amigos, além de ter escolhido exatamente o bairro onde ele mora, dentre os milhares de outros que existem em Recife/Olinda, o único nome que eu consegui pensar foi o feminino do nome dele. Quem se chama Carla, Meu Deus?

Será que tem algum problema de usar o nome verdadeiro deles etc? Eles nunca vão ler mesmo. E a história é tão específica que ficaria óbvio até mesmo com nomes fictícios. Tetesto nomes fictícios.

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